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Nossa Espiritualidade
Um Carisma é dado por Deus a fim de que se responda com audácia e generosidade a uma necessidade da Igreja. A espiritualidade é como o motor e o combustível para que o Carisma possa exercer sua finalidade. Ela é dada por Deus com exclusividade para uma Comunidade e transmitida pelo Fundador aos demais membros. 

A espiritualidade é um modo ou uma forma pela qual buscamos estar ligados, vinculados pessoal e intimamente com Deus. Cada Instituto Religioso, inspirados pelo seu Carisma fundante, une-se a Deus através dessa experiência com o Absoluto, estabelecendo assim uma espiritualidade comunitária da qual todos os membros partilham e dela se alimentam carismática e coletivamente.

Jesus – sua vida, seus exemplos, suas palavras – sempre será para nós o eixo central em torno do qual construímos nossas vidas, fazemos nossas escolhas e nos aperfeiçoamos como discípulos escolhidos (Pe. Gilson).

Diz, ainda, nosso Fundador: "Um carisma não se vivencia de forma departamentalizada. Tudo acontece de modo integral e uníssono. O destacamos aqui em diferentes aspectos para facilitar a sua compreensão e a sua riqueza." São quatro os aspectos de nossa espiritualidade: Jesusística , Apostólica, Samaritana  e Francisclariana. Composta também de três colunas: o Pneumático, o Milicial e o Devocional.



  • Aspectos
  • Colunas
  • Nossas devoções
Aspectos
Jesusítica
“Queremos o Verbo-Humanado pobre em Belém, anônimo em Nazaré, peregrino nas estradas, abandonado no Gólgota, ressuscitado pelo Pai e glorificado junto a Ele; Queremos Jesus que anuncia que o Reino já chegou e que está no meio de nós, mas que também se retira no silêncio para orar e interceder pelos homens junto ao Pai; Jesus que tem vida em abundância para dar, mas que também oferece o estreito caminho da Cruz” (NF 2)

Somos profundamente apaixonados por Jesus, somos atraídos por esse Deus que entra na condição humana, que entra nas condições mais humildes e difíceis da vida. Jesus é o nosso modelo e exemplo por excelência.Diante de tantas distrações e tentações que cotidianamente insurgem contra nós, é preciso caminhar com os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da nossa fé (cf. Hb 12,2). Nossa vida é Cristocêntrica e para viver o nosso Carisma não precisamos fazer outra coisa senão seguir fielmente os seus passos.

Para isso, é preciso ouvir a sua Palavra, pois Ele é a Palavra encarnada do Pai e nele temos o Caminho perfeito a seguir. Por ser Jesus a Palavra proclamada e encarnada, é que podemos não só escutar o que Ele diz como também imitarmos suas atitudes: Sua total confiança no Pai; Seu amor incansável aos pobres; Sua misericórdia sempre pronta a perdoar e dar ao outro a chance de recomeçar; Sua pressa em anunciar o Evangelho para que todos conheçam o amor do Pai; Sua compaixão com os que sofrem; Sua solicitude para com os aflitos; Sua autenticidade diante das atitudes hipócritas; Sua liberdade diante da lei que oprime a vida; Sua coragem em denunciar o que não é vontade de Deus; Sua humildade; Sua mansidão; Sua vida entregue sem reservas. (Pe. Gilson Sobreiro. Santidade, caminho real e possível)

Apostólica
Esse amor profundo por Jesus nos faz ir ao encontro do outro na situação em que este se encontra. O arquétipo de seguimento de Jesus para as Pobres de Jesus Cristo é a experiência que os apóstolos viveram do momento em que foram chamados pelo Mestre até o momento do martírio. 

“A comunidade discipular onde todos viviam unidos e tinham tudo em comum (cf. At 2,42-47) é para nós o máximo exemplo a seguir” (NF 137)

A Igreja como um todo é apostólica por ser fundada sobre os apóstolos: “A vocação cristã é também por natureza vocação ao apostolado. Denomina-se ‘apostolado’ toda atividade do Corpo Místico que tende a estender o reino de Cristo a toda a terra.” (CIgC 863) A palavra apóstolo, na sua raiz grega, significa “enviado”. Jesus é o enviado do Pai; desde o início de seu ministério “chamou a si os que ele quis, e dentre eles escolheu Doze para estarem com ele e para enviá-los a pregar” (Mc 3, 13-14). A partir de então, eles eram os seus enviados. Neles continua a sua própria missão: “Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21). 

Essa “apostolicidade” presente em nosso Carisma implica em um comportamento: nos faz ir ao encontro do outro na situação em que este se encontra; simultaneamente nos ensina que o modo de vida dos apóstolos é o modelo de vida a ser seguido: homens que gastaram sua vida para que o Reino de Deus fosse pregado e vivido cuja ocupação e preocupação principal era este Reino.

“A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos.” (Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, n. 24)

Samaritana
“Para os pobres queremos ser bons samaritanos, que amam a toda hora e em qualquer lugar ou situação; que fazem o bem sem esperar nada em troca. Para eles doamos o melhor de nossas forças, de nossa criatividade e de nossa própria pobreza.” (NF 51)

Na figura do bom samaritano temos o nosso modelo bíblico de serviço aos pobres. Por razões históricas e políticas, os samaritanos eram vistos pelos judeus como estrangeiros “heréticos e cismáticos, detestados até mais que os judeus”.
O samaritano da parábola do Evangelho de São Lucas (Lc 10, 29-37) era alguém que sabia que não iria receber nada em troca daquele homem que foi assaltado o qual decidira ajudar. O bom samaritano não era movido por interesses pessoais. Pelo contrário, sem esperar retorno, ao ver aquele moribundo “moveu-se de compaixão” (Lc 10,33) e depois de ser tocado interiormente pela dor e sofrimento do seu próximo, saiu de si e tomou uma atitude, “usou de misericórdia para com ele” 

Somos servidores dos pobres. Decidimos ser de Jesus todo para amá-lo acima de todas as coisas. Mas Ele disse que tudo o que fizermos aos pequeninos é a Ele mesmo que estaremos fazendo (cf. Mt 25,40). Portanto, decidimos ser de Jesus todo para servi-lo nos pequeninos.

Nos seus discursos e documentos, o papa Francisco insistentemente pregou contra “a cultura da indiferença”, certa ocasião, exortou: “rezemos ao Senhor para que cure a humanidade, começando por nós: que o meu coração sare desta doença, ou seja, a cultura da indiferença”. A nossa espiritualidade samaritana nos coloca decisivamente na contra mão dessa cultura mundana. Não podemos permitir que essa doença nos contamine, pois queremos, por amor a Jesus, ser no seio da Santa Mãe Igreja, “os samaritanos daqueles que vivem à margem do caminho”

Francisclariana
“Francisco e Clara nos apresentam a fraternidade e a pobreza como uma via segura pela qual podemos seguir a Nosso Senhor Jesus Cristo.” (NF 127)

No Poverello de Assis, São Francisco, assim como na Pequena Florzinha do seu jardim, Santa Clara, encontramos o exemplo de que é possível viver o Evangelho sine glossa, isto é, palavra por palavra, conforme está escrito. Toda a vida de Francisco foi expressão do Evangelho e no ideal franciscano encontramos aquelas duas colunas que desde a nossa fundação tem sido sustentáculo para a nossa pequena Obra: a pobreza e a fraternidade. 

O filho de Pedro Bernardone, que sempre teve aspirações ambiciosas, decide de forma dramática abraçar a esposa pobreza: “Despiu-se imediatamente, jogou ao chão suas roupas e as devolveu ao pai. Não guardou nenhuma peça de roupa, ficou completamente nu diante de todos” (Legenda Maior 6,15). “Francisco tratou de desprezar a própria vida... para encontrar como um pobre a paz” (1Cel 15). “Num mundo tão apegado ao transitório e ao temporal, nossa pobreza deve refulgir como um autêntico e libertador testemunho de que o amor e a salvação que vem de Deus são suficientemente reais para dar sentido à vida humana” (NF 52). 

“O Senhor me deu irmãos”. Com essa expressão, Francisco resume o que significou para ele a chegada dos primeiros irmãos. Os dois primeiros chegaram no dia 16 de abril de 1208, dois anos após sua conversão. A Legenda dos Três Companheiros nos comenta que nesse dia Francisco “se alegrou profundamente e deu graças a Deus” (TC 27). Com seus irmãos Francisco pôde viver a mesma experiência que Jesus viveu com os seus discípulos. Com eles Francisco riu, chorou, rezou, trabalhou; também tiveram os dias difíceis, sobretudo quando a Obra começou a crescer. Francisco muitas vezes foi incompreendido pelos irmãos, mas jamais abandonou a sua Fraternidade.

Nesse espírito franciscano radical, pobre e fraterno, entendemos o nascimento da vocação de Santa Clara de Assis: “Quando ouvi falar do então famoso Francisco que, como Homem Novo, renovava com novas virtudes o Caminho da perfeição, tão apagado no mundo, quis logo vê-lo e ouvi-lo” (Legenda de Santa Clara 5). Santa Clara deixou ao nosso Instituto, especialmente à nós irmãs, o seu legado espiritual: a esponsalidade, a virtude da honestidade e o desembelezamento.

Esponsalidade: pela consagração religiosa, os consagrados tornam-se almas esponsais. Isso significa que nossa alma foi desposada e possui um único dono: Jesus. 
Honestidade: Para Clara, a honestidade é uma das virtudes principais para o seguimento do Senhor: “No Senhor Jesus Cristo, aconselho e admoesto a todas as minhas irmãs, presentes e futuras, que sempre se empenhem em seguir o caminho da santa simplicidade da humildade, da pobreza e também uma vida honesta e santa, como aprendemos de Cristo e de nosso bem-aventurado Pai Francisco desde o início de nossa conversão.” (Testamento de Clara 56-57)
Desembelezamento: “Renunciando a todos os adornos, consentiu que lhe cortassem os cabelos e vestiu os trajes da santa penitência e despojou Jesus Cristo como humilde serva” (Legenda de Santa Clara 8). Santa Clara nos ensina o remédio que o combate ao mal da vaidade que a muitos escraviza: simplicidade e despojamento.
Colunas
Pneumático: Nossa Fraternidade foi fruto de uma forte experiência que o nosso Fundador e os primeiros tiveram com o Espírito Santo. Dessa experiência, pessoal e transformadora, brotou a certeza de que o Espírito Santo é vital para todo aquele que deseja viver a vida nova em Cristo. Essa dimensão carismática é vivenciada, sobretudo, na abertura aos dons carismáticos (ordinários e extraordinários), em momentos de oração, ministração e encontros querigmáticos. Nós somos chamados a usar destes dons para a edificação da Igreja e da nossa comunidade. Toda a nossa vida litúrgica-orante, vida fraterna e vida pastoral deve ser tocada pela ação renovadora do Espírito Santo, Ele sempre vai pedir de nós urgência pelo Reino e conversão diária.

Milicial: “Seguindo a doutrina apresentada por São Paulo acerca do combate espiritual (cf. Ef 6,10-20), assumimos como uma dimensão particular do nosso Carisma, a espiritualidade Milicial. Tal dimensão se evidencia de maneira particular pela vivência daquelas atitudes recomendadas por Jesus diante da ação de Satanás: a vigilância e a oração (Mc 14,38), assim como o jejum.” (NF 119-120) Essa espiritualidade nos permite viver uma prática de vida espiritual com elementos que lhe são muito próprios: nos fornece uma estratégia e o poderoso auxílio do general da Milícia Celeste, São Miguel Arcanjo. Nos permite, sobretudo, a graça de viver tudo isso “não sozinhos, mas juntos”. Somos de fato, um exército que luta pela santidade.

Devocional: Quem fez opção por Deus, só em Deus é que poderá encontrar o sentido último de sua existência. Esse aspecto evidencia o zelo que temos pelas “coisas do Senhor”, que nos faz celebrar com grande dignidade as Solenidades e Festas anuais do Tempo Litúrgico; nos faz honrar a memória dos Santos e dos Mártires; nos inflama de amor pela Santa Missa e pela Adoração ao Santíssimo Sacramento; nos faz esmerar nos cuidados para com tudo aquilo que fala do Senhor e que O toca. Esse zelo nos faz também cuidar de nossos hábitos e livros sagrados; do nosso próprio corpo, templo do Espírito Santo e totalmente consagrado a Ele pela Profissão Religiosa; do corpo dos pobres por ser o do próprio Jesus. Nutrimos a nossa vida devocional para continuar mantendo os olhos e o “coração ao alto” e para que possamos continuar enxergando as evidências de que Deus age em nossa história. 
Nossas devoções
Faz parte da nossa espiritualidade carismática a vivência profunda do Tempo Litúrgico da Igreja: “Que alentador é para nós, Pobres de Jesus Cristo, podermos haurir das graças advindas dos mistérios da vida do Senhor através de todo o Ano Litúrgico.” (NF 84).

A escuta atenta da voz do Senhor por meio do encontro com a Palavra de Deus também faz parte do nosso alimento espiritual diário, produzindo em nós frutos de conversão e santidade, além de nos impelir a difundir a Boa Nova por meio da pregação e do testemunho; à Eucaristia, que tem seu papel fundamental na vida da Igreja, prestamos diariamente um culto de adoração e buscamos preservar zelosamente tudo o que está relacionado ao culto do Corpo e Sangue de Cristo, seja na preparação para a Santa Missa ou para a Adoração ao Santíssimo; para estarmos devidamente preparados a acolher tais visitas de Deus, buscamos ainda uma vida de penitência e somos convidados a nos dirigirmos confiantes ao tribunal da misericórdia Divina no Sacramento da Penitência. Para isso, é necessário o exame de consciência, realizado diariamente no Ofício das Completas, e ao nos prepararmos para a Confissão, nos ajudando a detectar com precisão nossas imperfeições e progredir em nossa santificação. 

Impelidos pelo mandato do Divino Mestre que nos diz que é preciso orar sempre (Lc 18, 1) e unidos a Ele, elevamos diariamente a Deus nossa oração de louvor, de ação de graças, de petição e de intercessão através da Liturgia das Horas, em profunda unidade com o Corpo Místico de Cristo. Por fim, temos especial devoção à Santa Cruz e às Santas Chagas, devoção inspirada pela vida de Santa Clara de Assis. Às sextas-feiras, em um fecundo silêncio, nos colocamos diante do Lenho da Cruz em adoração, para que o Mistério de Amor da plena obediência de Jesus ao Pai não seja esquecido (cf. 1Cor 1, 17).

 
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