'Teu Coração é minha única pátria'
Em meio à escuta, obediência e abandono, Irmã Catherine compartilha seu testemunho missionário vivido entre o Brasil e a França. Uma jornada marcada por espera, aprendizado e o profundo desejo de ser toda de Deus — onde quer que Ele a envie.
Confira o primeiro testemunho da série de missionárias enviadas às missões Ad Gentes:
Vocacional
27.06.2025 - 09:00:00 | 4 minutos de leitura

Sou Irmã Catherine da Esposa do Cordeiro, PJC, natural do estado do Pará. Tenho 29 anos e sou religiosa do Instituto das Pobres de Jesus Cristo há 11 anos. Gostaria de compartilhar minha trajetória missionária dos últimos seis meses.
No dia 27 de dezembro de 2024, enquanto ainda estava em missão no centro de São Paulo (SP), onde permanecia há pouco mais de dois anos, fui chamada a uma nova obediência: Perpignan, na França. No Instituto, assim chamamos quando a Superiora nos designa e envia a uma nova missão — um chamado que nasce da escuta e da confiança. O Senhor me chamava a terras mais distantes, onde me esperava um novo tempo de abandono, fé e entrega. Era Ele quem, mais uma vez, me convidava a caminhar sobre as águas, sustentada apenas por Sua promessa.
Os preparativos para o envio de uma religiosa a um país diferente de sua origem contemplam várias etapas e exigem certa organização. É necessário estar aberta ao tempo de espera que envolve todo o processo: organizar documentos, planejar a viagem, lidar com imprevistos e, sobretudo, preparar o coração para o desafio da mudança.
Comigo não foi diferente. Desde o dia em que recebi a nova obediência até a chegada à França, foram exatamente 68 dias de espera (dois meses e quatro dias). Passei por todas as etapas de preparação, com alguns imprevistos, mas com a confiança de que Deus conduziria tudo da melhor forma.
Em todo esse processo, gostaria de destacar a importância da Missa de envio — momento em que todo missionário(a) recebe de Deus, em oração junto à comunidade eclesial, as graças necessárias para ajudá-lo(a) em sua nova jornada de fé. Tive a graça de viver esse momento ao lado da minha comunidade local de irmãs, em São Paulo, e da nossa Paróquia-Santuário do Sagrado Coração em Sufrágio das Almas, no dia 23 de fevereiro. Foi uma celebração emocionante, na qual também recebi manifestações de carinho, apoio e orações da comunidade paroquial, em especial do nosso pároco e das crianças da catequese, que tive a graça de acompanhar durante um ano.
Passado o período de espera no Brasil, cheguei à França no dia 3 de março. Mas ainda precisei aguardar pouco mais de um mês na cidade de Toulon (onde temos uma casa de missão) para iniciar as aulas de francês e viver um tempo de imersão.
No dia 8 de abril, finalmente cheguei a Perpignan, meu novo destino missionário. Situada no sul da França, esta cidade pertence hoje ao território francês, mas conserva viva a memória da antiga Catalunha, à qual pertenceu até o século XVII. Aqui, na chamada Catalunha do Norte, a história, a cultura e a língua catalã ainda ecoam suavemente na paisagem e no coração das pessoas.
Neste solo marcado por tantos encontros de povos e tempos, nossa missão consiste principalmente em ser uma presença orante e fraterna entre os mais pobres: ciganos, imigrantes e pessoas em situação de drogadição — num caminho de simplicidade, escuta e entrega.
Tenho vivido um tempo de abandono em Deus — aprendendo uma nova língua, descobrindo novos costumes, conhecendo novas pessoas etc. Mas, acima de tudo, encontrando, nestas terras distantes, um novo itinerário espiritual, repleto de aprendizado e confiança.
Costumamos dizer que fazer missão em terra estrangeira é como voltar a ser criança — ou, melhor dizendo, aprender a ser como criança: reconhecer que nada sabemos e que nada possuímos. A única certeza é que Deus está, e Nele devem estar os nossos olhos: “Como os olhos dos servos estão fitos nas mãos dos seus senhores, e os olhos da serva, na mão de sua senhora, assim os nossos olhos estão fitos no Senhor, nosso Deus.” (Salmo 122)
Cada experiência missionária é única no coração daqueles que escolhem dar tudo a Deus — até mesmo o direito de ir e vir. Termino este breve testemunho parafraseando Santa Teresinha do Menino Jesus, a santa francesa a qual celebramos este ano o centenário de sua canonização. Em sua espiritualidade, marcada pela devoção à Sagrada Face, ela afirmava com profundidade: “Tua Face é minha única pátria.” Inspirada por suas palavras, faço minha uma nova oração: “Teu Coração é minha única pátria.”
A vida missionária nos leva a muitas terras, nas quais não temos morada definitiva, pois estamos sempre a caminho. Mas nossa alma sempre encontrará abrigo e repouso seguro no Coração manso e humilde de Jesus.
Sou Irmã Catherine da Esposa do Cordeiro, PJC, natural do estado do Pará. Tenho 29 anos e sou religiosa do Instituto das Pobres de Jesus Cristo há 11 anos. Gostaria de compartilhar minha trajetória missionária dos últimos seis meses.
No dia 27 de dezembro de 2024, enquanto ainda estava em missão no centro de São Paulo (SP), onde permanecia há pouco mais de dois anos, fui chamada a uma nova obediência: Perpignan, na França. No Instituto, assim chamamos quando a Superiora nos designa e envia a uma nova missão — um chamado que nasce da escuta e da confiança. O Senhor me chamava a terras mais distantes, onde me esperava um novo tempo de abandono, fé e entrega. Era Ele quem, mais uma vez, me convidava a caminhar sobre as águas, sustentada apenas por Sua promessa.
Os preparativos para o envio de uma religiosa a um país diferente de sua origem contemplam várias etapas e exigem certa organização. É necessário estar aberta ao tempo de espera que envolve todo o processo: organizar documentos, planejar a viagem, lidar com imprevistos e, sobretudo, preparar o coração para o desafio da mudança.
Comigo não foi diferente. Desde o dia em que recebi a nova obediência até a chegada à França, foram exatamente 68 dias de espera (dois meses e quatro dias). Passei por todas as etapas de preparação, com alguns imprevistos, mas com a confiança de que Deus conduziria tudo da melhor forma.
Em todo esse processo, gostaria de destacar a importância da Missa de envio — momento em que todo missionário(a) recebe de Deus, em oração junto à comunidade eclesial, as graças necessárias para ajudá-lo(a) em sua nova jornada de fé. Tive a graça de viver esse momento ao lado da minha comunidade local de irmãs, em São Paulo, e da nossa Paróquia-Santuário do Sagrado Coração em Sufrágio das Almas, no dia 23 de fevereiro. Foi uma celebração emocionante, na qual também recebi manifestações de carinho, apoio e orações da comunidade paroquial, em especial do nosso pároco e das crianças da catequese, que tive a graça de acompanhar durante um ano.
Passado o período de espera no Brasil, cheguei à França no dia 3 de março. Mas ainda precisei aguardar pouco mais de um mês na cidade de Toulon (onde temos uma casa de missão) para iniciar as aulas de francês e viver um tempo de imersão.
No dia 8 de abril, finalmente cheguei a Perpignan, meu novo destino missionário. Situada no sul da França, esta cidade pertence hoje ao território francês, mas conserva viva a memória da antiga Catalunha, à qual pertenceu até o século XVII. Aqui, na chamada Catalunha do Norte, a história, a cultura e a língua catalã ainda ecoam suavemente na paisagem e no coração das pessoas.
Neste solo marcado por tantos encontros de povos e tempos, nossa missão consiste principalmente em ser uma presença orante e fraterna entre os mais pobres: ciganos, imigrantes e pessoas em situação de drogadição — num caminho de simplicidade, escuta e entrega.
Tenho vivido um tempo de abandono em Deus — aprendendo uma nova língua, descobrindo novos costumes, conhecendo novas pessoas etc. Mas, acima de tudo, encontrando, nestas terras distantes, um novo itinerário espiritual, repleto de aprendizado e confiança.
Costumamos dizer que fazer missão em terra estrangeira é como voltar a ser criança — ou, melhor dizendo, aprender a ser como criança: reconhecer que nada sabemos e que nada possuímos. A única certeza é que Deus está, e Nele devem estar os nossos olhos: “Como os olhos dos servos estão fitos nas mãos dos seus senhores, e os olhos da serva, na mão de sua senhora, assim os nossos olhos estão fitos no Senhor, nosso Deus.” (Salmo 122)

Cada experiência missionária é única no coração daqueles que escolhem dar tudo a Deus — até mesmo o direito de ir e vir. Termino este breve testemunho parafraseando Santa Teresinha do Menino Jesus, a santa francesa a qual celebramos este ano o centenário de sua canonização. Em sua espiritualidade, marcada pela devoção à Sagrada Face, ela afirmava com profundidade: “Tua Face é minha única pátria.” Inspirada por suas palavras, faço minha uma nova oração: “Teu Coração é minha única pátria.”
A vida missionária nos leva a muitas terras, nas quais não temos morada definitiva, pois estamos sempre a caminho. Mas nossa alma sempre encontrará abrigo e repouso seguro no Coração manso e humilde de Jesus.
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