"Vós, meus irmãos, não vos canseis de fazer o bem." (2Ts 3,13a)
“Em qualquer lugar que estejamos devemos ser conhecidos antes de qualquer outra coisa, como servidores dos pobres.” (NF 72)
15.01.2025 - 21:26:00 | 4 minutos de leitura

Me chamo Ir. Bruna de Jesus Amável, sou natural de Franca - SP, sou religiosa do Instituto das Pobres de Jesus Cristo há 10 anos e, atualmente, moro na missão de Itanhaém - SP.
Nossa casa em Itanhaém, conhecida como "Casa de passagem" é destinada ao acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade para um processo de ressocialização. O acompanhamento neste local acontece por três meses, para poderem começar a se readaptar a uma vida mais digna, pois muitas delas vem das ruas ou de sofrimentos familiares que as desestruturaram. Em seguida irão para outra de nossas casas onde serão acompanhadas para dar continuidade a este processo, até que possam novamente ser reinseridas na sociedade.
Gostaria de iniciar esta partilha com um parágrafo de Nossas Fontes em que nosso fundador nos diz: “Na matemática de Jesus o Céu faz festa por um só pecador que se arrepende (Lc 15,7); o pastor faz festa por uma só ovelha que foi encontrada (Lc 15, 4-7); e a mulher por uma só moeda (Lc 15,8-9). O próprio Reino é comparado a um grãozinho de mostarda e a uma pitada de fermento (Mt 13,31-33)”. (N.F 77).
Vivemos em uma sociedade marcada pela perda de valores e sentido, onde o prazer é visto como o fim de todas as coisas. As mulheres que acolhemos em nossas casas e que são chamadas por todos os membros deste Carisma de filhas prediletas, viveram profundamente esta realidade ao ponto de não mais conseguirem se encontrar ou dizer quem elas verdadeiramente são. As drogas e o prazer desordenado lhes desfiguraram. Ao chegarem devastadas pelos vícios em nossas casas, recebem a oportunidade de recomeçarem as suas vidas não por elas mesmas, mas impulsionadas pela graça de Deus, sendo fiéis e perseverantes na luta pelo seu só por hoje.
Morar em uma casa de passagem não é uma realidade fácil ou romântica, em alguns momentos é desafiador, mas existe um motivo principal: a luta pela vida e pela salvação das almas. As filhas de fato não são números, mas pessoas que são conhecidas e amadas por Deus e nós temos a graça de participarmos deste grande milagre que é a sobriedade, sendo na vida destas mulheres mães espirituais, irmãs, conselheiras, condutoras e anunciadoras de um Reino Eterno, lugar pelo qual vale a pena dar tudo o que temos para que seja concretizado em nossas almas e na de todos aqueles que nos foram confiados.
Olhar para elas todos os dias é contemplar de forma grandiosa o milagre de um Deus que salva, cura, liberta e transforma vidas. E por isso, como nos ensina o Evangelho, fazemos festa por uma pecadora que se arrepende e grita por socorro. Fazemos festa por famílias que são restauradas, pelas vidas que são reconstruídas, pelas almas que voltam a crer em Deus e por isso retornam para os sacramentos; fazemos festa por Deus vencer em suas vidas e elas poderem, a partir de então, testemunhar e dar esperança para outras pessoas que vivem a mesma situação de que é possível lutar pela recuperação e se manterem firmes em uma vida de conversão, afinal de contas nossos filhos prediletos também foram chamados para a santidade.
Me alegro por ter a graça de participar deste processo na vida das filhas que passam por nossa casa, mas me alegro, sobretudo, por poder ser um instrumento de Deus na vida delas. Nossa vocação é uma resposta para o mundo de hoje e como a nossa vida faz sentido na vida dos outros, me alegro por fazer parte deste Carisma e por ter a graça de conviver com os pobres, pois como mesmo disse Nosso Senhor Jesus Cristo: "Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!" (Mt 25,40).
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